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Tainha Tank · Encontro 01

Para quem vende

Como o mercado escolhido muda a forma de construir, vender e sustentar um negócio.

B2B e B2C são só o começo. Este encontro percorre dezesseis modelos de mercado e os principais formatos de preço usando um único personagem, um produtor de morangos e hortaliças, para mostrar que o mesmo produto muda de negócio quando muda quem paga por ele.

16 modelos de mercadoB2B, B2C, B2B2C e Marketplace a fundo15 formatos de preçoExercícios interativos

Baseado na apresentação de Ana Morais (estrategista comercial B2B, ex-Hotmart e Sólides) e Rodrigo Lamin (fundador e ex-CEO da Involves, movimento Gigante do PDV). Conteúdo ampliado pela Neostrat Builders com novos modelos, exemplos e exercícios.

SeuJoãoB2CB2BB2B2CMarketB2GD2CC2CC2BB2B2BB2B2B2CB2B2GB2EB2DP2PG2BG2C

O fio condutor · Conheça o Seu João

Seu João planta morangos e hortaliças em Antônio Carlos, na Grande Florianópolis. Ele tem três hectares, uma câmara fria pequena e a ajuda da filha, que cuida do Instagram. A colheita é a mesma toda semana. O que muda é para quem ele vende.

Em cada modelo a seguir, veja como o mesmo morango exige um jeito diferente de produzir, embalar, cobrar, entregar e se relacionar.

Seu João plantando morangos

Por que isso importa

A diferença entre os mercados não está só em quem recebe o produto. Ela muda praticamente toda a estratégia do negócio:

Aquisição de clientes
Posicionamento
Canais de venda
Precificação
Relacionamento
Crescimento
Separe duas perguntas que costumam se misturar. Modelo de mercado responde quem compra (consumidor, empresa, governo). Modelo de receita responde como você cobra (venda avulsa, assinatura, comissão, licença). A cesta por assinatura do Seu João é B2C com receita recorrente; a comissão do iFood é marketplace com receita por transação. Os formatos de cobrança estão detalhados na seção Precificação.

Os modelos

Dezesseis formas de levar o morango ao mercado

Dos mais conhecidos às cadeias longas e às relações com governo, funcionários e desenvolvedores. Cada sigla diz quem vende para quem; cada “2” é uma passagem de mão.

Negócios reais quase sempre misturam modelos. O Nubank atende pessoas (B2C) e empresas (conta PJ, B2B). O Seu João pode ter feira, restaurantes e merenda ao mesmo tempo. O risco é tentar todos de uma vez sem perceber que cada um exige uma operação diferente.

Cadeias longas

Quando há mais elos no caminho

Cada “2” da sigla é uma passagem de mão. Quanto mais elos, mais empresas precisam querer vender o seu produto, e mais o preço final se divide entre elas.

B2B2B2C: o morango que vira polpa

Seu João

B · produtor

Indústria de polpa

B · transforma

Supermercado

B · revende

Consumidor

C · compra e usa

De cada R$ 10,00 que o consumidor paga pela polpa (valores ilustrativos):

Seu JoãoIndústriaSupermercadoImpostos e logística

O mesmo desenho aparece em tecnologia. Uma empresa de infraestrutura de pagamentos fornece a tecnologia para uma fintech, que cria o cartão com a marca de uma rede varejista, que oferece o cartão ao consumidor. Quem desenvolveu a tecnologia nunca fala com o consumidor, mas depende de ele usar o cartão.

Em cadeias longas, quem tem a relação com o consumidor tem poder de negociação. Por isso tantos produtores e indústrias tentam encurtar a cadeia com D2C.

O que pesa em cada mercado

B2C vive de escala. B2B vive de dor econômica.

B2C

  • •Volume. Muitas vendas pequenas pagam a conta.
  • •Jornada. Cada clique ou fila a mais derruba a conversão.
  • •Aquisição e retenção. Trazer o cliente custa; mantê-lo é onde está o lucro.
  • •Disposição individual a pagar. Quanto vale para uma pessoa, com o dinheiro dela.

João na feira: a bandeja precisa estar bonita, o preço visível e o Pix rápido.

B2B

  • •Dor econômica. O problema custa dinheiro mensurável ao cliente.
  • •Decisão com múltiplos envolvidos. Chef, dono e financeiro opinam.
  • •Implantação. Entregar no horário certo, com padrão, toda semana.
  • •Retorno sobre o investimento. O cliente precisa ver que ganha ou economiza.

João no restaurante: menos desperdício de morango estragado vale mais do que morango bonito.

O mercado escolhido muda a maneira como você precisa construir, vender e sustentar seu negócio.

Precificação

Formatos de preço: como cobrar pelo que você entrega

O modelo de mercado diz quem paga. O formato de preço diz como e quando essa pessoa paga. Os dois precisam combinar: assinatura funciona para a cesta semanal e não faz sentido para vender uma estufa.

Primeiro, de onde vem o número

Custo + margem

Some tudo o que custa produzir e entregar e acrescente a margem. É seguro, mas ignora quanto o cliente valoriza.

João: R$ 6,00 de custo por bandeja + 40% = R$ 8,40.

Referência de mercado

Veja quanto os concorrentes cobram e escolha ficar acima, igual ou abaixo. É rápido, mas pode virar guerra de preço.

João: na feira a bandeja sai por R$ 10,00; ele cobra R$ 12,00 pelo orgânico.

Valor percebido

Cobre uma parte do ganho que você gera para o cliente. É o mais forte em B2B, mas exige provar o resultado.

Consultoria que libera R$ 200 mil de caixa pode cobrar R$ 30 mil.

Os formatos

Agrupados pelo que define o preço: tempo, quantidade, escopo, recorrência, resultado ou forma de entrada.

Por hora ou diária

tempo

Descrição

O cliente paga pelo tempo dedicado.

Bom quando

O escopo é incerto ou o trabalho é pontual.

Cuidado

Pune a eficiência e limita sua renda às horas do mês.

Exemplos

Consultor a R$ 350/h; instrutor por diária de 8 horas.

Na roça

João cobra a hora de trator emprestado ao vizinho.

Mercados onde é comum

B2B (consultoria)

Onde está a oportunidade?

Nem tudo se trata do tamanho do mercado

Um mercado gigante pode ser inacessível, disputado ou indiferente ao seu produto. Estes seis fatores ajudam a escolher melhor.

Intensidade do problema

Quanto dói a falta da solução?

Restaurante que joga fora 15% do morango sente mais dor que quem compra uma bandeja por mês.

Disposição para pagar

Há verba e vontade de pagar o preço justo?

A merenda tem verba prevista em lei; o turista paga mais pelo morango colhido na hora.

Acessibilidade

Você consegue chegar até esse cliente a um custo viável?

Feira fica a 40 minutos; exportar exige certificação que João não tem.

Escalabilidade

Dá para crescer sem que o custo cresça na mesma proporção?

A geleia escala mais que a colheita manual; o app escala mais que a geleia.

Concorrência

Quantos já atendem bem esse cliente?

O Ceasa abastece restaurantes com preço baixo; poucos entregam orgânico com constância.

Diferenciação

Por que escolheriam você e não outro?

Colhido no dia, sem agrotóxico, com rastreio da roça até a mesa.

Validação

Mercado potencial não é mercado validado

Validar é subir degraus de evidência. Opinião vira conversa, e conversa vira comportamento de compra.

Etapa 1

Hipótese

“Acredito que empresas precisam disso.”

João: “Acho que os restaurantes iam adorar morango orgânico.”

Etapa 2

Descoberta

“Conversei com empresas que relataram esse problema.”

João visitou 10 cozinhas; 7 reclamaram de morango que chega machucado.

Etapa 3

Evidência de demanda

“Clientes estão testando, contratando ou pagando.”

3 restaurantes fizeram pedido teste e 2 fecharam contrato mensal.

O mercado pode não validar sua ideia, e tudo bem

Não se apegue tanto à primeira versão da ideia a ponto de deixar de enxergar outras oportunidades. Se os restaurantes não fecharem contrato, as conversas com os chefs podem revelar outra coisa: talvez eles queiram polpa congelada, não fruta fresca. A pesquisa que “falhou” muitas vezes aponta o próximo produto.

Glossário

Termos que aparecem na conversa

CAC

Custo de aquisição de cliente: quanto você gasta, em média, para conquistar um cliente.

LTV

Valor do tempo de vida: quanto um cliente gera de receita enquanto permanece com você.

Ticket médio

Valor médio de cada venda.

Churn

Taxa de clientes que cancelam ou param de comprar em um período.

Ciclo de vendas

Tempo entre o primeiro contato e o fechamento.

Comitê de compra

Grupo de pessoas que influencia uma decisão B2B.

ICP

Perfil de cliente ideal: o tipo de cliente que mais se beneficia e mais rende.

GMV

Volume bruto transacionado numa plataforma, antes das comissões.

Take rate

Percentual do GMV que o marketplace fica para si.

Efeito de rede

Quando cada novo participante torna o produto mais valioso para os outros.

Go-to-Market

Plano de como o produto chega ao cliente: público, canal, preço e mensagem.

Retainer

Mensalidade fixa por acompanhamento contínuo e disponibilidade do profissional.

Success fee

Parte do preço paga conforme o resultado obtido para o cliente.

Escopo fechado

Entrega definida, com prazo e preço fixos. O que não está escrito não está incluído.

Kirkpatrick

Modelo de avaliação de treinamento em quatro níveis: reação, aprendizagem, comportamento e resultado.

PNAE

Programa Nacional de Alimentação Escolar, que reserva parte da compra da merenda para a agricultura familiar.

Pratique

Exercícios de Mercado

Uma trilha em quatro etapas: identifique o modelo de mercado, o degrau de validação e o formato de preço, com explicação a cada resposta. No fim, mapeie o seu próprio negócio e copie as respostas.

Começar os exercícios

O mercado precisa entender o valor, não apenas a tecnologia.

Clareza primeiro, profundidade depois. O morango do Seu João é o mesmo em todos os modelos; o que muda é a história que cada comprador precisa ouvir, e a operação que ela exige.

Material de estudo da Facilitação Neostrat Builders, ampliado a partir da apresentação “Mercados B2B e B2C” (Tainha Tank · CDL Florianópolis), de Ana Morais e Rodrigo Lamin. O Seu João é um personagem ilustrativo; números dos exemplos são didáticos.

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"Cada escolha é uma decisão e cada decisão é uma rota: somos

guardiões do nosso destino e capitães da nossa trajetória."

Adaptado do Poema Invictus, W.E. Henley, 1875
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